terça-feira, abril 12, 2005

VENTO PERDIDO

Nada há mais triste do que um
vento perdido.

Sua mãe era uma frente fria da Argentina,
que depois de cruzar com um vendaval bastardo,
parente do El Niño,
se dissipou no Atlântico à procura de um ciclone
ou foi pra Holanda em busca de um moinho.

Agora o vento perdido não sabe aonde soprar.

Ele só queria ser útil, mais do que agradável.
Virar energia no Nordeste ou qualquer coisa que preste.

Mas não há vagas nos céus do Brasil.

E ao vento perdido resta ser rasteiro.
Apagar velas nos cemitérios
ou levantar folhas secas
neste outono derradeiro.

1 Comments:

Anonymous Sueli said...

Essa, quase todos os dias eu leio e tento entender.
Imagino o que seja o vento perdido.
Sei lá se entendo mesmo.

6:15 PM  

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