quinta-feira, maio 12, 2005

PASTEL DE CARNE EM ÓLEO DIESEL

CARA A CARA
dei de cara com a sua
você não foi com a minha

não tive a de pau
pra meter as caras

quebrei a minha
você livrou a sua

fiquei com aquela de tacho
e enfiei a cara no mundo

fui encher a minha
e a sua continua amarrada


FOZ NASCENTE
até que um dia eu me câncer
ou esteja infarto de viver só
vou me banhando em meu próprio ganges
fazendo de cada instante
nascente e foz


SANDMAN
na ampulenta do poeta
segundos são castelos
minutos, praias inteiras
horas: continentes de areia



TRILHA DAS ANTIGAS
sua voz tem a cor
das fronteiras do dia
de manhã é pink floyd
à tardeep purple

entre um e outro sol
solo estou
mais pra blackmore
do que pra gilmour

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Quem comeu o pastel afinal? Mario, Fernando (primo)

9:07 PM  
Blogger gianna said...

Nada mais rico do que uma modorrenta véspera de feriado para, no trabalho, ler poesia no Orkut.
De Leminski cheguei até teus poemas. Que bom! Gostei do som e ritmo das tuas frases, gostei do jeux de mots, entre engraçado e duro que faz rir mas também lança as suas farpas.

Já virou favorito!

Abraço.

4:44 PM  
Anonymous Wilmar said...

Lugar comum dizer que o cara é um "artífice da palavra", mas é quase isso. Acho que é um artífice com palavras.
Vocês ainda vão ouvir falar muito desse poeta.
A propósito:já leu Gilberto Mendonça Teles? Procure conhecer, por exemplo, "Álibis".
Gde abraço, e obrigado por sua poesia!
Wilmar / campinas, sp

9:53 PM  

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